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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Xin Nian Kuai Le

Dizem por aí que depois do carnaval é que o ano começa. Pois foi mais ou menos isso que, de fato, aconteceu. No domingo último, teve início o ano novo do Tigre de Metal, de acordo com o calendário Chinês, e eu fui participar das celebrações budistas dessa data no templo de Três Coroas.
Como nunca fui muito adepta do Carnaval do sul  e não estava disposta a enfrentar a Freeway e seus engarrafamentos homéricos nesse calor histórico, nem titubiei em subir a serra em busca de paz. O lugar é lindo, no topo de uma montanha de onde pode se ver o vale de todos os ângulos, isso sem falar na espiritualidade que esses lugares genuinamente têm.
Uma coisa que admiro muito no budismo é o papel do vento. No templo, em todo o lugar que se olhe, podem ser observadas bandeirolas coloridas tremulando, elas são chamadas "Bandeiras de Oração". Para os budistas, elas são como apelos, mantras silenciosos que, ao serem tocadas pelo vento, se expandem para todos os lugares beneficiando a todos, dissemimando bondade, compaixão e bênçãos, não apenas a quem as estendeu. As Bandeiras de Oração ativam e fortalecem nossa força inteiror, são representadas por cinco animais e cinco cores diferentes e há dias propícios para estendê-las, que variam segundo o signo de quem as pendura. Eu escolhi o Cavalo do Vento que simboliza nossa capacidade de realização, nossa força motivadora que reune e harmoniza todas as outras.
Como tinha me dado férias de quase tudo mesmo, inclusive de escrever aqui, foi muito bom poder começar de verdade o ano em um local e momento especiais.
Ainda conforme a tradição oriental, o ano do Tigre de Metal é um ano de muitas trasnformações e também de muita cautela, porque tudo será facilmente extremado. Ou seja, não serão necessários esforços para que as coisas mudem do 8 ao 80 em segundos, isso tanto para as pessoas quanto para com a natureza. Better be safe than sorry, though!
Então é melhor apertar os cintos porque 2010 vai dar a partida. E que venha o Tigre!
Feliz Ano Novo!!!

domingo, 23 de agosto de 2009

Here comes the sun....

Na meditação dessa semana me surpreendi ao saber que a música Here comes the sun, do Geroge Harrison, foi feita para o Bhaktivedanta Swami Prabuphada que, resumidamente, foi quem trouxe a sabedoria do Bhagavad Gītā para o ocidente e guru de George. Harrison afirmava que Prabuphada trouxera luz para sua vida e o tornara outro homem, por isso o sol havia chegado.
Não é à toa que essa doce melodia entra na nossa mente e traz uma certa paz.
Há pouco tempo essa música representava alguém que amei muito e que assim como Harrison eu também pensava ser meu sol. Sol é vida e também me sentia como que de vida nova pela chegada dele, pelo calor daquele amor que acreditei que ele sentia. No entanto, o tempo passou e a vida me mostrou que ele não era o sol. Talvez tenha sido uma lua, um corpo celeste cuja órbita eu seguia. Um astro iluminado. Logo, sem luz própria ao contrário do sol.
Hoje Here Comes the Sun ainda me faz pensar nele, mas apenas com uma lembrança. Um lembrança de uma fase da lua, de uma fase bem ingênua até de mim mesma.
Mas continuo a desejar o sol na minha vida e estou aprendendo a deixá-lo brilhar. Um brilho intenso, porém sereno e contínuo. Com calor, energia e cores constantes ainda que haja uma semana inteira de dias cinzas, como esta que passou.
Como diz em um trecho do Gita "nosso espírito brilha mais do que mil sóis", então apenas deixe-o brilhar.